[Projeto EXPRESSÃO] O fenômeno ‘bio’, um business como outros?

por PB

 Nascido em resposta à industrialização da agricultura, o movimento «bio» está ganhando terreno. Só na Europa, as receitas anuais dos produtos «bio» atingiriam 21 milhões de euros. Esquecendo a filosofia original do fenômeno, produtores podem ser criticados por utilizar meios de produção industriais, e vendedores por aplicar margens de lucro exageradas. Um efeito inverso que prejudica também a credibilidade e a imagem do setor. Uma reportagem foi recentemente emitida pelo canal franco-alemão Arte, apresentando o «bio» como um business parecido os outros(1).

No inicio, o fenômeno bio foi desenvolvido nos anos 60 por agricultores e fazendeiros que não queriam seguir o procedimento industrial de produção de frutas, legumes e carne. Uma produção que deveria ficar em pequena escala, e sem abuso de pesticidas e antibióticos. Pouco a pouco, a procura foi aumentando. As causas desta evolução da procura poderiam ser ligadas aos numerosos escândalos alimentares, como por exemplo o recém descobrimento de carne de cavalo em lasanhas congeladas de marca Findus. Assim, os consumidores se voltariam para uma alimentação mais natural e menos transformada. De um modo mais geral, se trataria também de uma nova e atraente filosofia de vida, em reação à crise econômica, que enfatiza o respeito da natureza e o desenvolvimento sustentável.

Uma vez que estas ideias foram compartilhadas por bastante gente, o mercado se organizou para responder à procura, e para diminuir os preços.

Agora, se pode comprar produtos «bios» não só nas lojas especializadas, mas também nos supermercados e hipermercados. Auchan lançou um site especializado, mieux-vivre.auchan.fr (viver melhor) que propõe unicamente produtos bio. Leclerc, Carrefour, até o «hard-discount» Leader Price, tem as suas próprias marcas de distribuidores « bio ». O aspecto positivo desta evolução é que os preços baixam, e que todo mundo aproveite de uma qualidade melhorada. Mais se nos interessamos aos médios de produção destes produtos, nos damos conta de que, apesar de critica-las, utilizam, no final, as mesmas técnicas de que a produção industrial.

O reportagem do canal Arte demostra que atrás da ética do « bio » se podem ocultar, também, processos, manipulações e corrupção, como em qualquer outro negocio :

Uma melhora  na qualidade? Menos pesticidas, uma produção melhor para o ambiente? Os jornalistas investigaram na China onde encontraram um produtor de camarão que não respeitava de jeito nenhum os critérios exigidos pela certificação. Apesar disso, continuava a utilizar o logotipo «bio», enganando assim o consumidor.

Uma produção mais próxima do consumidor, que produz menos poluição por causa dos transportes ? Não necessariamente : produtores alemães compram na Romênia hectares em grande quantidade, já que o preço por metro quadrado, para uma terra muito fértil, fica bem inferior ao de outros países na União Europeia. Além disso, não trabalham a empregar pessoal local para cuidar das terras.

Os jornalistas investigaram também sobre as certificações, que visam garantir a qualidade dos produtos bio. Não existe uma legislação europeia única, só uma grande quantidade de selos emitidos por organizações independentes. E as vezes, o pagamento do produtor para obter o selo parece ter um papel mais importante do que o dela, qualidade intrínseca do seu produto.

Sem pôr em causa o progresso que representa uma agricultura «bio» numa larga escala, e sem afirmar que a única agricultura realmente biológica possível seria a de seu próprio jardim, parece necessário recordar aos consumidores de manter-se vigilantes quanto à qualidade e a ética dos produtos gravados «bio».

Seria também interessante fazer pedagogia para que as pessoas consumam naturalmente de formar mais « ética», por exemplo, legumes, verduras e frutas locais e sazonais, que muitas vezes trocam por outros, menos gostosos e cultivados em estufa. Constituiria um primeiro passo para que, em uns anos, a agricultura biológica se mantenha bastante tradicional e não seja totalmente assemelhada à agricultura industrial.

(1) http://www.arte.tv/guide/fr/046344-000/produire-bio

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