[Projeto EXPRESSÃO] A importância do crescimento econômico na África

Sophie Ménager

Na semana passada, 26 países da África do Sul e do Leste assinaram um acordo de livre comércio em Sharm el-Sheik que se estenderá do Egito até a África do Sul para facilitar a liberalização do comércio e serviços e reduzir as taxas aduaneiras em cerca de 85 por cento.

A economia africana tem mudado muito nos dez últimos anos e o continente não é mais o das imagens do anos oitenta com fome e grande pobreza. A taxa média de crescimento econômico no continente é de 5% em 15 anos, atrás da Ásia (7%). O continente registrou melhorias em todas as dimensões do desenvolvimento humano, nomeadamente na educação e na saúde: de acordo com o relatório 2013 sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milênio (OMD), o nível da pobreza extrema (menos de 1.25 dólares por dia) diminuiu de 56.5% em 1990 a 48.5% em 2010 quando os índices de educação e de saúde aumentaram de 1.4% entre 2005 e 2012.

Embora o crescimento econômico esteja bom, é muito desigual. Países africanos são muito dinâmicos, por exemplo África do Sul, Botswana, Moçambique, Cabo Verde, Nigeria, etc. Mas outros países ainda sofrem das guerras (por exemplo: Chade, Somália, República Central Africana), das ditaduras com ausência de administração (por exemplo: Zimbábue), a instabilidade política como em Madagáscar que é um dos países africanos onde o PIB nacional diminuiu nestes últimos anos e as condições de vida da população se deterioraram.

Também o crescimento econômico torna-se insuficiente para enfrentar o grande desafio do crescimento demográfico: em 2050, África será o continente mais povoado e contará quase 2 mil milhões pessoas, duas vezes mais que hoje e dez vezes mais que em 1950. Até 2050, a África deverá criar em média 29 milhões empregos cada ano para os jovens que entrarão no mercado de trabalho, três vezes mais que hoje. Já a taxa de desemprego é forte. Por exemplo 60% dos jovens na África Sub-Saariana que tem entre 18 anos e 24 anos não tem emprego. Esta é uma das causas da emigração forte para a Europa e dos naufrágios quase semanais. É uma causa também de conflitos persistentes e de terrorismo crescente. A pobreza grande é um fator de violência e o Banco Mundial avalia que a motivação principal de 40% dos jovens africanos que aderem a um movimento rebelde seja a falta de trabalho.

A não ser que o setor privado se desenvolva rapidamente, a África enfrentará uma crise grande nos anos que seguem. É indispensável que as empresas multinacionais sigam vendo o continente como uma alternativa na desaceleração econômica nos países desenvolvidos e emergentes e aumentem seus investimentos e em todos setores, na agricultura como na indústria e nos serviços, para que as economias africanas se diversifiquem e dependem menos dos recursos primários como os recursos minerais e o petróleo. A integração regional é outro fator que pode facilitar o comércio no interior do continente como a integração no comércio mundial.

A ajuda pública ao desenvolvimento deve também contribuir para criar condições favoráveis para que o empreendedorismo africano se desenvolva: construir infraestruturas, desenvolver a formação profissional e o setor financeiro que aplica em empresas. Se as empresas forem mais numerosas, vão criar empregos e os rendimentos da população vão aumentar. Também estas empresas vão pagar impostos e a administração vão receber as receitas fiscais que precisa para investir nos setores sociais e da saúde.

Por isso o futuro da África e a melhoria das condições de vida de sua população dependem muito da capacidade dos Estados africanos e dos países investidores de reforçar as economias africanas.