[Projeto EXPRESSÃO] POBRE E FELIZ

Estelle ROSSIGNON, M2 NTCI Universidade de Poitiers

Escolhi trazer para debate o tema da relação entre a classe socioeconômica e a felicidade de um indivíduo. O exemplo tomado será o do Brasil, país para o qual, na minha opinião, esta relação parece ter menos importância dado que brasileiro “está sempre sorrindo”. É por causa desta simples constatação que escolhi este tema para a aula de hoje. Antes de poder tratar do assunto, é necessário ter uma explicação sobre as classes socioeconômicas brasileiras.

Definição e repartição das classes socioeconômicas brasileiras:
As classes socioeconômicas brasileiras são definidas pelo Critério de Classificação Econômica Brasil, conhecido como Critério Brasil. Permite conhecer a capacidade de consumo dos lares brasileiros. Foi atualizado novamente pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), e entrou em vigor desde primeiro de janeiro deste ano. Divide a população brasileira em seis estratos socioeconômicos denominados A, B1, B2, C1, C2 e DE, do mais rico ao mais pobre. É baseado em posse de bens. Para cada item uma quantidade de pontos é atribuída. A suma comparada com as faixas de corte determina qual a classe da família.

Distribuição da população brasileira entre as classes em 2014:
Pode-se notar que quanto mais se vai indo para a classe mais baixa, mais a porcentagem aumenta a nível do país, o que significa que esta faixa da população é mais representada, e que esta tendência nacional é mais ou menos representativa segundo a região. Uma minoria de brasileiros pertence a classe A (são riquíssimos) e uma maioria pertencem a classe D-E (são pobres).

Agora que já sabemos o que é ser pobre no Brasil de um ponto de vista econômico podemos nos perguntar: O que é ser feliz?
A felicidade parece, a primeira vista, ser algo de muito subjetivo e por isso difícil a definir. No entanto, pesquisas foram realizadas e apontam que uma maioria de brasileiros concorda em uma mesma visão. Por exemplo, a pesquisa do Akatu (por Equipe Akatu – março de 2013) indica que “brasileiro associa felicidade mais a bem-estar do que a posse de bens”. Outra pesquisa mais recente, a do serviço de proteção ao crédito (SPC Brasil) (de julho de 2015) aponta, com mais precisão, que para 69% dos brasileiros ser feliz não é ser rico (ou pobre) mas saber desfrutar da vida e dos seus prazeres estando com quem se gosta. Ter momentos de lazer é mais importante do que ter um salário bom.

Os resultados desta mesma pesquisa mostram que “os entrevistados – independentemente de fatores como classe social ou faixa etária – associam sua felicidade muito mais ao bem-estar físico e emocional e à convivência social do que aos aspectos financeiros e à posse de bens” como os da primeira.

Entre os critérios que fazem esta felicidade, se destacam, para dois terços dos entrevistados, o fato de “estar saudável e/ou ter sua família saudável”  e para 60% dentre eles, “conviver bem com a família e os amigos”. Somente três em cada dez faz referencia “a tranquilidade financeira”.

Quem são estes últimos ? São jovens e adultos com menos posses. Pode parecer paradoxal, serem os mais novos e pobres que relacionem a felicidade aos itens de consumo. Uma explicação possível adiantada por Aron Belinky, coordenador técnico da pesquisa, é a falta de poder aquisitivo destes brasileiros. Neste mundo de consumismo, esta parte da população sofre de não ter a possibilidade de deter acesso a certos serviços e bens (básicos). Para eles o consumo é um fator essencial da felicidade.

Pois ser feliz não se define da mesma forma segundo a classe à qual se pertence e a idade que se tem. Como diz Murilo Cunha, num comentário sobre um artigo relacionado ao tema da academia Arata: “para cada fase da vida temos um objetivo que nos traz felicidade”.

Gostaria de concluir com uma frase achada num testemunho, no mesmo artigo, de um certo Sérgio que aconselha aos pais:

“Não eduque o seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas, não o seu preço.”

Esta frase faz refletir.

Qual é a sua opinião a respeito ?

Fontes usadas
Critério Brasil:
•    Blog de Leandro Callegari Coelho e Ludmar Rodrigues Coelho (antigo)
•    Site Internet IBOPE (atualizado)
Pesquisas:
•    Instituto Akatu (www.akatu.org.br) – março de 2013
•    Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) – julho de 2015
•    O Observador Brasil 2011 (e CIA 1 e 2)
Falas:
•    Artigo “pobre e feliz” – exemplo de uma aula da academia Arata (Seiiti)

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